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São Paulo, 6 de janeiro de 2009.


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Entendendo a evolução das Lentes Progressivas:

Um estudo sobre o avanço dos conceitos de desenhos nas Lentes de Adição Progresivas (LAPS)

Por: Tom Lyra

Nos últimos tempos, inúmeras inovações técnicas têm tido impacto no campo das lentes de adição progressiva (LAPS). Elas mostram mudanças promissoras e o que devemos esperar para essas lentes nos próximos anos e o que fará também que elas se tornem mais populares.

A parcela de mercado das lentes progressivas nos Estados Unidos (40%) ainda está um pouco atrás em relação a outros países como o Brasil que vende aproximadamente seis milhões de peças ao ano, mas levantamentos recentes têm demonstrado que a maioria dos presbitas iniciantes aqui no Brasil e em grande parte dos países estão agora pedindo para usar as LAPS em suas primeiras multifocais. A decisão sobre qual usar pode ser um desafio real, especialmente desde que uma recente contagem do número de desenhos e materiais das LAPS atualmente disponível no mundo mostrou 136 variações.

Ouço algumas vezes os profissionais ópticos comentar que as lentes progressivas estão o mais próximo da perfeição que poderiam chegar. Mas isso é verdade? Neste Relatório Técnico faço uma revisão dos conceitos de desenhos das lentes progressivas que têm aparecido no mercado e algumas inclusive com tempo devida relativamente curto no mercado das lentes de adição progressiva.

Esse tipo de lentes tem conhecido melhorias de desenhos freqüentes durante os últimos anos, e isto se tornou a principal influência para convencer os profissionais a oferecer esse tipo sofisticado de lente a seus clientes/pacientes. Essas constantes melhorias também influenciaram a proporção de ajuste bem sucedido das LAPS.

No estágio atual de desenvolvimento, os fabricantes ainda estão refinando suas lentes progressivas, mas as melhorias de desenhos se tornaram mais sutis do que os avanços iniciais. O ajuste bem sucedido das lentes progressivas é muito mais garantido hoje, e a questão agora é melhorar o conforto visual dos usuários.

A época das bifocais

A seguir, apresento uma revisão das principais mudanças acontecidas na evolução das lentes progressivas, inclusive aquelas que se tornaram disponíveis apenas recentemente aos profissionais ópticos como "por exemplo" o life xs da rodenstock.

Historicamente, a motivação inicial para o desenvolvimento das multifocais foi produzir uma multifocal sem linhas que denunciassem a idade do usuário.

A primeira patente das lentes progressivas foi emitida em 1907, mas a lente nunca chegou a ser produzida. A primeira lente de adição progressiva usável foi a Varilux I, introduzida na França em 1959. O desenho das LAPS mudou consideravelmente desde que a primeira lente progressiva se tornou disponível para os profissionais ópticos no mundo. Logo depois que a Varilux I foi disponibilizada, a primeira lente vendida no mundo foi a American Optical’s UltraVue. Naquela época uma série de seminários nacionais conduzidos pela American Optical veio a ser a introdução oficial dos profissionais ópticos ao conceito de multifocal de foco variável.

Desenvolvimentos de Desenhos

Desenho Simétrico. Comparada às lentes progressivas atuais, a UltraVue tinha um desenho primitivo, "simétrico". Esse termo se refere ao fato que a lente direita e a esquerda possuem desenho idêntico. Para ajustar a porção de leitura da lente, os laboratórios simplesmente giravam duas lentes idênticas no sentido nasal em torno de 10 graus, para criar o ajuste necessário para o Dnp de perto do paciente. Os laboratórios e fabricantes gostaram desse estilo de desenho, pois era fácil manter um estoque equilibrado de lentes esquerda e direita.

Progressivas Assimétricas. Eventualmente, os cientistas de lentes reconheceram que o desenho de uma lente progressiva esquerda deveria ser diferente daquele usado para a lente direita. Os fabricantes gradualmente mudaram para os desenhos "assimétricos", nos quais o desenho da lente esquerda era uma cópia de espelho da lente direita.

Todas as lentes progressivas modernas possuem desenho assimétrico. Nos desenhos assimétricos, a maior parte da distorção indesejada na área de leitura é empurrada na direção da lateral nasal do canal progressivo.

Designs Mono/Multi. Todas as lentes progressivas dos estágios iniciais usavam o mesmo desenho tanto para uma adição de +1.50 quanto para uma adição de +3.00. Em termos gerais, conforme a adição aumenta, a largura do canal progressivo e do diâmetro da área de leitura encolhe gradualmente. É lógico então que o principal avanço seguinte para as lentes progressivas fosse reconhecer que o desenho deveria mudar conforme a adição mudasse.

Descobriu-se que a modificação do desenho para cada adição de grau permitia maximizar a largura do canal progressivo e a área de leitura para cada adição de grau. As LAPS sem essa modificação para a adição de grau foram chamadas de desenhos "mono". As lentes que mudavam o desenho dependendo da adição de grau foram consideradas desenho "multi".

Desenhos Baseados nas Prescrições. O avanço seguinte veio quando os desenhos perceberam que uma lente progressiva usada por um míope deveria diferir da mesma lente, quando usada por um emétrope ou hipérmetrope. Isto faz sentido quando se considera que as curvas progressivas, sempre encontradas na superfície frontal da lente, ficam mais bem posicionadas a partir do olho numa lente positiva do que ficam quando a prescrição é plana ou negativa.

Isto levou a modificações dos desenhos das lentes progressivas, conforme a mudança das curvas da base. O desenho para uma lente semi-acabada de base oito diferiria do desenho de uma lente semi-acabada de base seis, e seria novamente diferente quando usada com uma lente semi-acabada de base quatro. Esse conceito tentou fazer a melhor equalização possível do campo de visão para perto e longe, independentemente do grau.

Desenhos Totalmente Asféricos. Toda lente progressiva utiliza curvas asféricas para as constantes mudanças de grau conforme o olho do usuário vai da imagem à distância para perto. As lentes progressivas iniciais apresentavam curvas esféricas na porção superior da superfície frontal. Em anos recentes, algumas lentes progressivas tiveram posicionamento "totalmente asférico", usando curvas do tipo asféricas convencionais para a superfície superior frontal da lente.

As curvas asféricas usadas para a superfície superior frontal de uma lente progressiva difere das curvas achatadas usadas para as lentes asféricas de visão Simples. Como não é possível asferizar totalmente uma lente progressiva como é feito numa lente de visão simples, criou-se assim alguma confusão sobre o termo "totalmente asférica", quando aplicado às lentes progressivas. De uma maneira geral, mesmo se a lente progressiva totalmente asféricas não for tão asferizada quanto à lente de visão simples, a superfície superior asférica aumenta o desempenho visual da lente.

Canais Progressivos Mais Curtos. Dois eventos relativamente recentes se combinaram, criando problemas para os adaptadores ou vendedores das lentes progressivas. O primeiro evento foi a crescente aceitação das LAPs, e o segundo veio da diminuição gradual do tamanho dos aros.

Conforme a popularidade dos aros com "look" "retrô" cresceu, os médicos e profissionais ópticos e optometristas descobriram que muitos aros verticalmente estreitos simplesmente não forneciam dimensões verticais suficientes para as lentes progressivas. Muitas LAPs necessitam de uma altura mínima de ajuste de 20 a 24 mm, que os estilos de aros mais populares raramente possibilitavam.

Para solucionar esse problema, um fabricante, a American Optical, introduziu a lente Compact, uma lente progressiva que apresenta uma altura mínima de ajuste de 17 mm, produzindo um impacto imediato no mundo das lentes progressivas. Durante o último ano e meio, outros produtores de lentes como Rodenstock, Zaiss,Hoya,Shamir, introduziram lentes progressivas que podem se ajustar a menos de 20 mm e em alguns casos como o Rodenstock "XS" até 14mm.

No mundo da moda dos aros, a altura mínima de ajuste se tornou um componente importante das lentes progressivas modernas.

Design Mais Duro x Mais Suave. Existe outra categoria que ajuda a diferenciar as lentes progressivas umas das outras. Essa categoria diz respeito a como o desenho lida com as mudanças indesejadas de grau que são empurradas para ambos os lados do canal progressivo e da zona de leitura. Falando de forma geral, quando o ponto crucial é um canal progressivo e uma zona de leitura larga, as mudanças indesejadas de grau devem se comprimir mais rapidamente em ambos os lados, e isto produz o que passou a ser chamado de desenho "duro". Nesse tipo de lente, os usuários se tornam conscientes do astigmatismo indesejado mais rapidamente, ajudando-os a conter seu olhar fixo dentro do canal utilizável.

Nos desenhos mais suaves, as mudanças de grau são mais graduais, se espalhando por uma área mais ampla. Alguns ajustadores consideram essa lente mais viável, pois como o usuário começa a experimentar as mudanças de grau de uma forma mais gradual em ambos os lados, eles podem utilizar uma área mais ampla, pois as mudanças de grau são mais suaves e mais fáceis de serem aceitas.

De forma geral, os desenhos mais suaves têm zonas de distância mais estreitas, zonas de leitura mais estreitas e corredores progressivos mais longos com áreas de falta de clareza crescentemente mais lentas em ambos os lados. As lentes progressivas com desenhos mais duros têm corredores mais curtos.

As crescentes mudanças de grau num canal progressivo significam que deverá haver uma distorção crescente mais rápida em ambos os lados. O uso do desenho mais duro geralmente proporciona um campo mais largo de visão, necessitando de menos movimentos da cabeça ou dos olhos por parte do usuário. Os desenhos mais suaves reduziram as áreas de distorção ou de "nado" para a lateral, mas limitam o tamanho das zonas de visão clara, requerendo mais movimento da cabeça e dos olhos.

Alguns fabricantes de lentes progressivas objetam o uso do termo "duro" ou "suave", sugerindo que os termos não conseguem dar a idéia de como a lente funciona.

Eles podem estar certos sobre isso, mas ninguém forneceu termos melhores para essa variação de desenho.

Muitas lentes progressivas modernas são difíceis de serem consideradas "duras esféricas" ou "suaves asféricas", porque foram projetadas para se situar em algum ponto entre essas duas categorias. Elas são geralmente chamadas de desenhos "Otimizados" ou "Ergonomicos".

Lentes Progressivas Atóricas

Conforme o desenho das lentes progressivas amadureceu, o principal objetivo foi aumentar ou alargar o campo de visão do usuário, não apenas para a visão à distância, mas também para a intermediária e de perto. Isto foi conseguido recentemente através da asferização da superfície anterior da lente, ao invés da superfície frontal normal.

As curvas de adição progressiva ainda são colocadas na lateral frontal da lente. Tornando a superfície anterior asférica (ou atórica quando é necessário o grau do cilindro), essas novas lentes progressivas aumentam a acuidade do usuário, ao mesmo tempo em que alarga o campo de visão à distância, de perto e intermediária. Os usuários geralmente notam uma melhora imediata da visão.

Essas LAPs melhoradas foram lançadas com sucesso na Europa e nos Estados Unidos por dois fabricantes: Carl Zeiss e Rodenstock. Devido a suas superfícies atóricas sofisticadas, as lentes só podem ser processadas por seus fabricantes em seus laboratórios europeus. O preço de varejo das lentes é de cerca de duas vezes o custo normal das lentes progressivas, mas os relatórios iniciais foram positivos. As lentes são enviadas sem corte por transporte aéreo para os laboratórios dos Estados Unidos ou Alemanha, com um retorno de 31 a 40 dias.

Prescrições Compensadas

Conforme os desenhos das lentes progressivas chegaram perto da perfeição, alguns cientistas começaram a considerar a forma como elas são usadas, e perceberam rapidamente que esse era um componente importante que havia sido negligenciado na questão das lentes progressivas perfeitas.

Vamos considerar o que acontece quando o usuário lê através de uma lente progressiva. Sua linha de visão fica em declive a um ângulo oblíquo pronunciado através de uma lente curva que tem um viés de cerca de 10o (inclinação pantoscópica). Por outro lado, a correção determinada pelo refracionista é obtida com o paciente olhando fixamente reto através do centro óptico das lentes planas ou (phoropter).

As lentes acabadas retornadas pelo laboratório são verificadas num lentômetro, fazendo uma nova verificação perpendicular da porção de distância e de leitura da lente – consideravelmente diferente da forma como o paciente termina usando-as.

Antes da era computadorizada, teria sido impossível para os laboratórios calcular como cada prescrição deveria ser mudada para acomodar erros induzidos quando as lentes estivessem na posição de uso. No entanto, com a chegada dos computadores de alta velocidade, isto se tornou possível, e quatro empresas incorporam atualmente esse conceito em suas mais novas lentes progressivas: a Rodenstock e sua afiliada 2C Optics; a Pentax Vision e Carl Zeiss.

Cada uma empenhou seu próprio nome no conceito, e cada uma delas segue uma forma ligeiramente diferente para explicá-lo. No entanto, todas elas seguem um formato básico, que é de que a prescrição do médico é computada e modificada, para compensar erros ópticos introduzidos quando as lentes são curvadas e inclinadas da forma como elas serão usadas nos óculos. A prescrição original também é modificada, para compensar o ângulo oblíquo criado quando os pacientes fixam o olhar para baixo através da lente ao ler.

Para determinar como o Rx deveria ser modificado, o computador precisa calcular e compensar cada componente da prescrição, para proporcionar a correção idêntica quando a lente for usada na vida real.

Quando esse tipo de lente volta do laboratório, o envelope indica dois valores: a correção determinada pelo médico e a correção modificada, como ela é lida no lentômetro. Essas mudanças podem afetar o grau do esférico e do cilindro, o eixo e o prisma.

A Rodenstock está agora incorporando o que ela chama de Posição de Usoä em quatro de suas lentes progressivas. A Pentax Vision chama sua inovação de design de Retina Forwardä . Ele é usado em todas Lentes Progressivas Pentax AF. A Zeiss chama sua modificação de Sistema de Valor de Medição Zeiss, afirmando que ele assegura que o usuário vivencie exatamente o grau prescrito pelo médico. A Zeiss usa seu Sistema de Valor de Medição em todas as lentes progressivas Gradalâ . As lentes 2C baseiam-se nos desenhos Rodenstock, e eles chamam sua compensação pelo termo Posição de Uso(ergonômicas). Independentemente da empresa, todos os cálculos são feitos ao nível de fábrica.

O último lançamento de lentes progressivas da linha Essilor/Varilux, a lente Varilux Panamica.

A empresa afirma que os maiores benefícios das lentes Panamic são a adaptação mais rápida, campos de visão ampliados e liberdade visual que ajuda os usuários a sentirem-se perto de sua visão pré-presbiópica. A Essilor credita esses benefícios às duas novas tecnologias – Global Design Managementä , que "requer que toda a superfície seja balanceada, similarmente a uma lente de visão Simples, com óptica periférica uniforme" – e um novo processo de medição de qualidade de "deflectometria" chamado de Desenho Ray Controlä [Controle de Raio de Desenho], que usa feixes de luz para verificar em toda a superfície do molde, e não apenas em pontos específicos.

Como se pode imaginar, o software necessário para executar todos os múltiplos cálculos – seja para determinar como compensar a posição de uso ou para atingir campos ampliados de visão e uma adaptação mais fácil – são de propriedade de cada empresa. E conforme fica evidenciado pelos lançamentos recentes da indústria óptica, a questão de um desenho melhorado ao meu ver nunca termina.

E assim, qual o ponto mais alto do desenho das lentes progressivas? É questionável se é possível para qualquer pessoa responder essa pergunta. No entanto, uma coisa nós sabemos: as lentes progressivas representam as lentes mais avançadas para corrigir a presbiopia. Elas representam também dentre todas as lentes vendidas ,as lentes que possibilitam o maior ganho e as mais lucrativas para os fabricantes, laboratórios e comerciantes.

Como resultado, estas evoluções que chamamos de etapas ou eras simbolizam também que as lentes estão ficando mas competitivas e que o mercado e os consumidores também estão mais exigentes e de certa forma ávidos por tecnologias que possam melhorar de sobre maneira sua forma de ver, tornando a visão através da lente progressiva tão aproximadamente quanto possivel da visão natural, antes da presbiopia e assim, todos nós estamos confiantes de que haverá um esforço contínuo da indústria óptica mundial para desenvolver e produzir Lentes de Adição Progressiva sempre melhores portanto estejam preparados. boas vendas e bons negócios.

Tom Lyra
Diretor comercial da Igal/Rodenstock
Autor do Livro "Questão de óptica"
Diretor da Associação Brasileira de óptica(abci)

 

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