Ceratocone é uma doença na qual a córnea adquire formato cônico. Sua incidência é de aproximadamente 54,4 casos para cada 100.000 habitantes. As manifestações clínicas irão surgir, principalmente, entre os 10 e os 30 anos de idade. É considerada uma doença ocular bilateral, progressiva e não-inflamatória caracterizada pelo afinamento da córnea.

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Seus principais fatores de riscos são a hereditariedade e a coceira ocular.

O uso de óculos e lentes de contato constitui a principal forma de tratamento nas fases iniciais da doença. Para aqueles intolerantes às lentes de contato que não possuem opacidades na córnea, os implantes intracorneanos são boas alternativas . Porém, com o aumento do astigmatismo e a diminuição da transparência da córnea, a eficácia dessas modalidades terapêuticas diminui e o transplante penetrante de córnea passa a ser a única alternativa para que se restabeleça a visão do paciente.

Sabe-se pouco a respeito das causas que levam ao ceratocone. As maiores evidências apontam para possíveis alterações genéticas. Embora a maioria dos casos não apresentem história familiar da doença, estudos no campo da genética têm valorizado cada vez mais possíveis formas de herança autossômica dominante ou recessiva.

Ceratocone pode associar-se a diversas doenças sistêmicas. A associação com cératoconjuntivite primaveril, dermatite atópica e outras afecções alérgicas está bem documentada, embora essa relação ainda não seja clara. Da mesma forma, pacientes com Síndrome de Down têm probabilidade significativa maior de desenvolver ceratocone, provavelmente devido à associação com o cromossomo 21. Pacientes com prolapso de valva mitral também parecem apresentar maior incidência de ceratocone, provavelmente devido às alterações no metabolismo do colágeno.

Múltiplas alterações bioquímicas têm sido relatadas em córneas de pacientes com ceratocone. Muitas delas, no entanto, foram questionadas por outros estudos. Entre as principais anomalias descritas, destacam-se as alterações na síntese protéica e na interação dos proteoglicanos com as fibrilas colágenas da córnea. Essa interação seria importante na manutenção da tensão corneana normal. Outro fator possivelmente envolvido, é o aumento da atividade colagenolítica nas células epiteliais da córnea e da conjuntiva.

Devido à diversidade de fatores envolvidos na gênese do ceratocone, a valorização do caráter multifatorial da doença se faz necessária. Alteração na síntese do colágeno e dos proteoglicanos e aumento da atividade colagenolítica, podem explicar a associação do ceratocone a doenças como Ehler-Danlos.

O ato de coçar os olhos também tem sido proposto como causa do ceratocone e poderia explicar a maior incidência da doença naqueles com atopia ou Síndrome de Down.

Algumas medidas simples podem ajudar a diminuir a vontade de coçar os olhos. São elas: usar colírios lubrificantes (lágrimas artficiais) se os olhos estiverem ressecados, aplicar compressas frias ou geladas nos olhos, lavar pálpebras e cílios com xampu de Ph neutro e soro fisiológico;

O ceratocone deve sempre ser tratado por um oftalmologista. A doença, em geral, surge na puberdade e evolui até os 30, 40 anos, mas há relatos de casos de crianças de 7 à 8 anos já com quadros iniciais. Depois a tendência é estabilizar. Daí a importância da prevenção e o acompanhamento do seu oftalmologista para controlar a progressão da doença com a fim de preservar a qualidade da visão.

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