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São Paulo, 17 de abril de 2014..


Lentes de contato > Lentes de Contato (Introdução) > Lentes tóricas

Nilo Holzchuh e Ricardo Holzchuh
Adaptando lentes de contato tóricas



Veja aqui um passo-a-passo para uma correta e segura aplicação

A adaptação de lentes de contato nos pacientes portadores de astigmatismo apresenta certas dificuldades que o adaptador deve conhecer para contorná-las e obter resultados satisfatórios, proporcionando aos usuários boa acuidade visual. A melhor maneira de resolver os obstáculos é pensar neles antes que ocorram, evitando que o paciente passe por esse tipo de constrangimento.
Os problemas mais comuns encontrados na adaptação dessas lentes estão relacionados com o conforto e a visão. A variação da acuidade visual pode ocorrer devido ao incorreto posicionamento da lente de contato no olho ou do erro de cálculo da correção óptica proposta. A resolução de certas situações é simples, mas, às vezes, requer maior dedicação, atenção, paciência e persistência do adaptador.

Desenho de lentes de contato tóricas

Cuidados básicos:
• Um dos primeiros obstáculos que se encontram na adaptação de lentes de contato tóricas é a espessura – por causa da sua configuração, elas são mais espessas. O ideal é procurar, sempre que possível, as mais finas para adaptar.
• Os depósitos na superfície da lente podem ocasionar desconforto, devendo ser recomendadas limpeza e assepsia rigorosas.
• Os defeitos apresentados na estrutura da lente tornam impossível seu uso, havendo necessidade de troca.
• Após a adaptação, e nas visitas subseqüentes, o paciente deve ser questionado sobre a qualidade de visão, se está estável ou não, ou se permanece borrada. A alteração da acuidade visual em geral ocorre por causa de uma adaptação mais plana ou mais apertada à lente. As pálpebras também podem interferir na visão, deslocando as lentes de contato de lugar ou mudando sua rotação. Dependendo das condições da córnea, para melhorar essa situação deve-se readaptar as lentes com maior ou menor aplanação em relação à primeira tentativa.
• Outro problema é alinhar o eixo da lente, o que deve ser constatado após alguns minutos de teste. Ao piscar é possível saber da estabilidade e da posição do eixo dessa lente – se tiver movimento exagerado, a lente pode estar muito plana e a não-movimentação está apertada, o que tende a trazer problemas de edema de córnea, tornando a acuidade visual debilitada.
• Nas lentes de testes deve-se observar sua posição, rotação e deslocamento para poder achar a melhor lente final. Quanto menor a rotação apresentada, melhor será o resultado final da adaptação. Na rotação maior do que 300, provavelmente não se conseguirá performance. O aceitável é que a lente gire até 150; e sua movimentação deve ser de até 2 mm, para nos certificarmos de que a lente final ficará dentro de padrões aceitáveis de adaptação.

Teste para aplicação

Vários métodos e regras para corrigir a rotação apresentada pelas lentes de contato tóricas de teste são conhecidos, mas podem deixar confusos os principiantes nessa adaptação. Existe um método simples que não deixa dúvidas na sua aplicação:

1. Para as lentes de teste que giram para a esquerda, somam-se os graus da rotação aos dos prescritos nos óculos. Se as lentes de teste rodarem para a direita, devemos subtrair os graus rodados daqueles prescritos nos óculos. Em resumo se a FAVOR do relógio SOMA. Se for CONTRA o relógio DIMINUI. Lembrar sempre que cada hora no relógio corresponde a 300 de rotação estimada. Quando não houver rotação, o eixo é o mesmo prescrito nos óculos.

2. Deve-se fazer sobre-refração na lente de teste para determinar o grau final. Faz-se sobre-refração, tanto esférica quanto cilíndrica, para avaliar o verdadeiro potencial que se pode obter com a nova lente. O grau final obtido para a melhor visão, às vezes nos surpreende. Menores correções esféricas dão uma boa acuidade visual final e nem sempre se utiliza todo o astigmatismo para chegar à visão satisfatória e deixar o paciente satisfeito.

3. Faça os testes com as lentes de teste do mesmo fabricante que vai fornecer a lente final, o que facilitará os ajustes necessários, pois se tem conhecimento do material, do desenho, da espessura e das curvaturas.

4. O paciente deve ser alertado de que não é uma adaptação simples e que pode haver várias retificações; portanto, a calma e a persistência são importantes aliadas numa boa adaptação de lentes tóricas.

5. Conheça as necessidades do seu paciente quanto ao conforto e à qualidade de visão. Nas adaptações com lentes tóricas isso é ainda mais importante. O problema que muitos adaptadores têm com essas lentes é não observar com detalhe a relação lente-córnea e mesmo a relação da lente com o olho. A criação de diversos desenhos, novos materiais para trocas planejadas e mesmo descartáveis está facilitando a adaptação desse tipo de lente.

6. Lembre-se: a adaptação de lentes de contato nos pacientes com astigmatismo leve ou moderado facilitou e simplificou devido aos novos tipos de lentes tóricas, obtendo-se alto índice de sucesso.


Nilo Holzchuc
Doutor em medicina pela Faculdade de Ciências médicas da Unicamp, chefe do serviço de lentes de contato da Unicamp e chefe do serviço de córnea da Santa Casa de São Paulo.

Créditos:



31/maio
Dr. Marcelo Cunha na revista '29HORAS'


13/fevereiro
Prestígio brasileiro


06/maio
Cataract cause discovered


05/maio
Gene therapy treatment works for inherited blindness


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